EDITORIAL

Um novo portal para o Rio Grande do Sul

Estados não competem apenas por incentivos fiscais. Competem por atenção. A decisão de investir num território começa quando alguém, em Shanghai ou Roterdã, sabe que o lugar existe e entende o que ele faz bem.

O Rio Grande do Sul tem o que mostrar — matriz energética majoritariamente renovável, parque industrial diversificado, universidades de ponta, um agronegócio integrado a cadeias globais. O que falta, com frequência, é o intermediário: informação confiável, em inglês, na periodicidade certa, para quem decide.

O Radar Invest RS nasce dessa lacuna. Traremos, todo mês, informações sobre a economia do estado, voltadas a investidores, executivos e diplomatas de todo o mundo. A iniciativa pretende fazer com que, fora do Brasil, o nome do estado mantenha o mesmo peso que já tem no país.

EM DESTAQUE

Invest RS anuncia representação em Shanghai para disputar o capital chinês

Invest RS showcased Rio Grande do Sul's potential to Chinese investors.

A Invest RS levou o potencial do Rio Grande do Sul a investidores chineses.

A Invest RS, agência de promoção econômica do estado do Rio Grande do Sul, abriu, no dia 25 de agosto, sua primeira representação no exterior, em Shanghai, em complemento ao calendário de feiras e missões criado pelo Promove RS.

Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% e o maior montante desde 2017, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China. Foram 52 projetos, recorde da série. O país absorveu 10,9% de todo o capital produtivo que a China aplicou no exterior naquele ano, mais do que os Estados Unidos (6,8%). Restrições regulatórias nos mercados americano, europeu e australiano ajudam a redirecionar esse dinheiro para o Sul Global.

O Rio Grande do Sul entrou nessa conta com quatro projetos em 2025 e 20 acumulados desde 2007, o sexto maior estoque entre as 27 unidades da federação. A região Sul respondeu por 14% dos empreendimentos chineses no ano — e ampliar essa fatia é o objetivo da Invest RS.

A China é peça-chave na estratégia internacional do Rio Grande do Sul, sendo o principal destino das exportações gaúchas desde 2008 e o maior parceiro comercial do estado desde 2013. Foram US$ 4,84 bilhões embarcados em 2025, quase o triplo do segundo maior destino individual, os Estados Unidos, com US$ 1,64 bilhão. A soja responde por 69% da pauta, e tabaco, pastas químicas de madeira e carne bovina somam outros 22%.

O roteiro da Invest RS na China

  • Novembro 2024: Missão institucional à Ásia

  • Outubro 2025: Missão Invest RS 2025, em parceria com o Instituto Caldeira

  • Abril 2026: China Auto 2026

  • Maio 2026: Missão Invest RS 2026, também em parceria com o Instituto Caldeira

  • Agosto 2026: Abertura da representação da Invest RS em Shanghai

A Invest RS mapeou cinco setores prioritários iniciais para atrair capital chinês: automotivo; máquinas, equipamentos e semicondutores; máquinas agrícolas; produtos de transição energética; e produtos e serviços digitais. A agência já conversa com mais de 40 empresas chinesas desses segmentos e com o Asian Infrastructure Investment Bank.

No lançamento da representação em Shanghai, a Invest RS assinou um memorando de entendimento com a China Semiconductor Industry Association (CSIA) para ampliar a cooperação entre a indústria chinesa de semicondutores e o ecossistema de microeletrônica do Rio Grande do Sul. Ele se soma a outros quatro memorandos que a Invest RS e o Instituto Caldeira, hub de inovação de Porto Alegre, assinaram em maio

Os acordos cobrem startups, cidades inteligentes e finanças: com a TusHoldings, ligada à Universidade Tsinghua; com a HICOOL, de Pequim; com o Bund FTC e o SPD Bank; e com o Shanghai Smart City Development Institute.

A representação permitirá "acompanhar mais de perto as transformações que estão moldando a economia", afirmou o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki. O modelo será avaliado após cerca de seis meses.

RAIO-X

Resíduo do agro vira insumo da rede de gás

O Rio Grande do Sul avança na conversão de resíduos da agropecuária em energia comercializável. A Sulgás, distribuidora de gás canalizado presente em 38 municípios que respondem por 47% do PIB estadual, injeta em sua rede até 30 mil metros cúbicos diários de biometano produzidos pela Bioo, no polo petroquímico de Triunfo, a 52 quilômetros da capital Porto Alegre.

Em Esteio, na região metropolitana, a companhia estrutura o Sulgás BioHub, ponto único de recebimento e injeção com capacidade equivalente, abastecido por caminhões vindos das plantas produtoras e aberto a novos fornecedores por meio de chamada pública lançada em abril. Em Passo Fundo, o traçado preliminar do projeto prevê 19 km de gasodutos para abastecer uma rede local exclusivamente com o gás renovável.

Em Capão do Leão (265 km de Porto Alegre), a Geo Del Sur — sociedade entre a Estancia Del Sur, braço agropecuário do Grupo Reiter, e a Geo Biogás & Carbon — investirá R$ 120 milhões em uma usina prevista para 2027, com capacidade inicial de 400 mil m³ mensais e teto licenciado de 800 mil m³. A planta será alimentada por resíduos da própria produção agropecuária do grupo e destinada a abastecer os caminhões a gás da Reiter Log.

Um levantamento conduzido pelo Instituto 17, a partir da base de declaração de rebanho da Seapi, no âmbito do Plano ABC+ RS e em parceria com o Ministério da Agricultura e a Embrapa, mapeou mais de 4.800 estabelecimentos de suinocultura em 288 municípios gaúchos; 29 deles operam biodigestores. Essas unidades tratam 523,6 mil m³ de dejetos por ano e evitam 17,6 mil toneladas de CO₂. 

Outras 254 propriedades têm escala para viabilizar biodigestores individuais, o que evitaria mais 255 mil toneladas anuais. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 36% das plantas de biogás do país em operação, implantação ou reforma, segundo relatório do CIBiogás.

O estado também atrai capital para o setor eólico. Somando todas as fontes, o Rio Grande do Sul tem cerca de 10 GW de potência instalada — a eólica responde por pouco mais de um sexto disso — e o Sindienergia-RS propõe um acréscimo de 5 GW de geração renovável até 2030. Em Dom Pedrito, o Complexo Eólico Torquato Severo, da DGE Soluções Renováveis e da Casa dos Ventos, prevê 700 MW e um investimento superior a R$ 3,9 bilhões, com início de operação em 2029.

IMPACTO

Onde a Invest RS está presente

→ Expointer

A Invest RS e a Fiergs assinaram na terça-feira (01/09), durante a Expointer 2026, um termo de cooperação para implantar o Conexão Indústria, programa que conecta os grandes investimentos anunciados no Rio Grande do Sul à cadeia de fornecedores locais, com foco nas pequenas e médias indústrias. Senai-RS, Abimaq, Abinee, Sinduscon-RS, Reginp, Sebrae-RS e Assespro-RS também integram o acordo. As entidades iniciam agora um cronograma para mapear as demandas dos novos investidores e capacitar a rede de fornecedores. Para Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS, o anúncio de um investimento é apenas o início da jornada.

A 49ª Expointer foi realizada de 29 de agosto a 6 de setembro no Parque Assis Brasil, em Esteio, com 5.756 animais inscritos para julgamento — 12% a mais do que em 2025 e o maior número desde 2012. A edição do ano passado movimentou R$ 4,4 bilhões.

Genética animal, tecnologia e agricultura familiar são os destaques desta edição, que a organização diz ser carbono-neutra: as emissões serão compensadas com a compra de créditos de carbono. A programação incluiu o painel "RS e China: Oportunidades para as Proteínas Animais e Atuação da Invest RS na Ásia", sobre como ampliar as exportações gaúchas de proteína animal para a China.

→ Desenvolve Município

A segunda fase do projeto Desenvolve Município gerou R$ 1,1 bilhão em oportunidades concretas de investimento para 55 municípios gaúchos. Foram 61 projetos, incluindo distritos industriais, hubs de inovação, obras de proteção climática e equipamentos culturais. O programa da Invest RS capacitou gestores por dez semanas, em parceria com a Unisinos, e foi reconhecido pelo International Economic Development Council, a maior entidade do setor.

NEGÓCIOS

Oportunidades no RS

A Invest RS mantém uma coleção de books setoriais sobre oportunidades de investimento. Nesta primeira edição, destacamos o tema de energia. O documento reúne dados, projetos e oportunidades do setor energético gaúcho. Também está disponível o report mensal da agência, com o balanço da carteira de projetos assessorados.

Você também pode acessar o RS em Dados, plataforma bilíngue de dados abertos da agência, com mapas interativos e dashboards sobre a economia, as empresas, a força de trabalho e o comércio internacional do estado.