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Rio Grande do Sul disponibiliza R$ 402 milhões em dois fundos para destravar crédito e seguro

Rafael Prikladnicki (centro), presidente da Invest RS, e Rodrigo Ribeiro (esq.), diretor de Gestão Corporativa, com representantes da B3 e da Bee4. Foto: Gov. RS

Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS, e Rodrigo Ribeiro (ambos à direita), diretor de Gestão Corporativa, com representantes da B3 e da Bee4 (à esquerda). Foto: Invest RS

O Rio Grande do Sul lançou, no dia 21 de setembro, dois fundos que somam R$ 402 milhões e não têm similar no país. O maior, o Fundo Fácil RS, terá R$ 300 milhões para levar pequenas e médias empresas gaúchas ao mercado de capitais. Ele atua como investidor-âncora. Numa emissão de dívida em que o mercado compre ao menos 60% dos papéis, o fundo pode subscrever o restante, limitado a 40% da oferta ou a R$ 30 milhões, o que for menor.

Podem participar empresas com faturamento anual de até R$ 500 milhões enquadradas no regime Fácil, criado pela CVM para baratear e simplificar a emissão de valores mobiliários por companhias menores. A Invest RS prospecta e prepara as candidatas, e a Banrisul Corretora realiza a gestão e a análise das operações. A expectativa é destravar cerca de R$ 750 milhões em investimentos no estado.

O segundo, o Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos, nasce com R$ 102 milhões e pode aplicar parte ou a totalidade dos recursos em Letras de Risco de Seguro vinculadas a eventos climáticos no estado. Ao absorver uma fatia do risco das apólices, o fundo permite que as seguradoras ampliem a cobertura em áreas sujeitas a enchentes. O dinheiro que não for destinado às LRS fica em ativos líquidos e de baixo risco e constitui uma reserva que reduz a dependência de socorro emergencial após grandes desastres.

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>>>  Por que importa: Menos de 1% das empresas brasileiras acessam o mercado de capitais. O custo de entrada e as exigências de governança deixam a maioria dependente do crédito bancário, em geral mais caro. O Fundo Fácil RS é a primeira peça de uma plataforma maior, anunciada em maio na Brazilian Week, em Nova York, quando a Invest RS contratou a Deloitte para estruturar um fundo estratégico. A meta de longo prazo é chegar a US$ 5 bilhões, sendo US$ 1 bilhão de recursos públicos e o restante captado no setor privado.

O Rio Grande do Sul se antecipa à reforma tributária. Os benefícios de ICMS começam a encolher em 2029, e o imposto deixa de existir em 2033. Sem espaço para a guerra fiscal, o Rio Grande do Sul troca a renúncia de receita por instrumentos financeiros. "O Fundo Fácil RS é o primeiro passo da plataforma de fundos em que estamos trabalhando", diz Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS.

Universidade chinesa de ponta mira Rio Grande do Sul

Executivos ligados ao TusHoldings na Tecnosinos. Photo: InvestRS

Executivos ligados ao TusHoldings no Tecnosinos. Foto: Invest RS

A TusHoldings, braço de serviços de ciência e tecnologia da Universidade Tsinghua, de Pequim, quer replicar no Rio Grande do Sul o modelo de “parques gêmeos” que mantém em outros países. O formato combina conectividade tecnológica, incubação de startups e apoio à entrada de empresas em novos mercados.

O interesse ganhou corpo durante a visita de uma comitiva de 12 executivos e especialistas de oito organizações ligadas ao grupo, que esteve no Rio Grande do Sul de 21 a 25 de setembro. A agenda, organizada pela Invest RS e pelo Instituto Caldeira, foi integrada à Semana Caldeira, em Porto Alegre. O roteiro incluiu os parques tecnológicos Tecnopuc e Tecnosinos, rodadas de negócios com empresas gaúchas e visitas à CMPC, em Guaíba, e à Randoncorp, em Caxias do Sul.

Fundada em 1911, a Tsinghua é uma das universidades mais prestigiadas da China e figura entre as mais bem colocadas da Ásia em rankings internacionais. É também celeiro da elite política e científica do país. O presidente Xi Jinping formou-se ali em engenharia química, e seu antecessor, Hu Jintao, em engenharia hidráulica.

A Tus-Holdings nasceu do parque científico da universidade, o Tsinghua Science Park, criado nos anos 1990 para aproximar a pesquisa acadêmica do setor produtivo. Hoje, o grupo opera cerca de 300 bases de inovação em todo o mundo. 

Além do parque no estado, a empresa busca parceiros para uma plataforma de inovação que reúna instituições dos países do BRICS. “Você pode ler matérias, assistir à televisão, mas nada é melhor do que ir pessoalmente para sentir as pessoas reais, as fábricas, as empresas, o ambiente de inovação”, diz Herbert Chen, vice-presidente da Tus-Holdings.

Agora é a vez de a Invest RS fazer o caminho inverso. Entre o fim de outubro e o início de novembro, a agência embarca para uma nova missão na Ásia, desta vez com passagem pela China e pelo Japão.

O principal compromisso será um evento sobre novas energias, organizado em parceria com empresas chinesas, para aproximar as empresas do país das oportunidades da transição energética gaúcha. A equipe também visitará a 9ª China International Import Expo (CIIE), feira de importação marcada para 5 a 10 de novembro, em Shanghai. No Japão, a agência participa de um painel do FT Locations, divisão do grupo Financial Times especializada em investimento estrangeiro direto. A programação completa sai nas próximas edições.

Invest RS assina acordo com associação chinesa de semicondutores

A Invest RS abriu no dia 25 de agosto, em Shanghai, seu primeiro escritório internacional. No mesmo dia, assinou um memorando de entendimento com a China Semiconductor Industry Association, entidade que reúne o setor de chips do país.

O estado já conta com uma cadeia de semicondutores em formação. Em Cachoeirinha, a Tellescom prepara um complexo de R$ 1 bilhão para encapsulamento e teste de chips, com quatro fábricas previstas até 2029. Em Canoas, a John Deere investe R$ 75 milhões em uma unidade de componentes eletrônicos, como módulos e receptores de GPS para máquinas agrícolas e de construção, que entrará em operação em julho de 2027. O programa estadual Semicondutores RS coordena as iniciativas do setor.

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>>>  Por que importa: O acordo aproxima o Rio Grande do Sul de fornecedores chineses de equipamentos e insumos e de investidores do setor. A fábrica da John Deere mostra que já há demanda local por eletrônica embarcada.

Casa dos Ventos prevê R$ 10 bilhões em eólicas no estado até 2030

A Casa dos Ventos pretende investir cerca de R$ 10 bilhões no Rio Grande do Sul até 2030 e chegar a 2 GW de capacidade de parques eólicos em operação no estado, segundo o diretor-presidente da empresa, Clécio Eloy.

Cerca de 40% do valor vai para o Parque Torquato Severo, em Dom Pedrito, na Campanha. O projeto, em parceria com a gaúcha DGE, tem 700 MW, 90 aerogeradores e um custo de R$ 3,9 bilhões. Já conta com a licença prévia da Fepam e o contrato de conexão com o ONS. As obras começam em 2027, com previsão de 3 mil empregos, e a operação, em 2029. A empresa assinou um termo de engajamento com a Invest RS.

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>>>  Por que importa: Data centers e o setor industrial disputam cada vez mais energia limpa, e a Campanha tem vento e terra disponíveis para atender a essa demanda. O potencial eólico do estado está mapeado no Book de Oportunidades em Energia da Invest RS.

PANORAMA

Terminal da CMPC vai aprofundar o canal do Porto Novo em Rio Grande

A Terminal Rio Grande do Sul S.A., joint venture da chilena CMPC com a Neltume Ports, assinou, no dia 11 de setembro, a cessão de uma área de 412,5 mil m² no Porto do Rio Grande para um terminal de celulose, no valor de R$ 1,4 bilhão. Como contrapartida, a empresa investe cerca de R$ 140 milhões na dragagem do canal de acesso. O contrato tem 25 anos, renováveis por igual período. A capacidade atingirá 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação.

Pelo acordo, a CMPC repassará R$ 142,7 milhões à Portos RS para dragar o canal de acesso e a bacia de evolução do Porto Novo. O calado passará de 9,5 metros para até 12,5 metros.

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>>>  Por que importa: A dragagem beneficiará todos os usuários do Porto Novo e será custeada pela iniciativa privada. Navios maiores barateiam o frete por tonelada de fertilizantes e grãos e pesam na decisão de indústrias que podem se instalar na região.

RAIO-X

Rio Grande do Sul entra no radar dos data centers

O Redata, sancionado no dia 15 de setembro, suspende por cinco anos o Imposto de Importação, o PIS/Cofins e o IPI sobre equipamentos de tecnologia da informação destinados a data centers. Em contrapartida, toda a energia contratada deve vir de fontes limpas ou de baixa emissão. Ao menos 10% da capacidade tem de atender ao mercado interno, e 2% do valor dos equipamentos comprados com o benefício vai para pesquisa e desenvolvimento.

O Rio Grande do Sul já conta com projetos em andamento. O Scala AI City, em Eldorado do Sul, prevê até 4,75 GW no longo prazo. A Parks está investindo R$ 500 milhões em Cachoeirinha, e a Tecto anunciou a construção de um data center de 20 MW em Porto Alegre, que será ligado diretamente ao cabo submarino Malbec. No dia 9 de setembro, Fiergs, Invest RS e Tecnopuc reuniram empresas do setor na PUCRS para debater um estudo da FGV sobre o impacto econômico desses investimentos.

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>>>  Por que importa: A exigência de energia limpa favorece estados com oferta de energia renovável em expansão. O Rio Grande do Sul soma geração renovável em crescimento e acesso direto a um cabo submarino internacional.

EM NÚMEROS

Safra de soja 34% maior recompõe o motor exportador gaúcho

O agronegócio gaúcho exportou US$ 3,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo nota técnica do Departamento de Economia e Estatística do Estado. O complexo soja cresceu 47,6%, impulsionado por uma safra 34,4% maior. As carnes somaram US$ 771 milhões, com alta de 24,7%, e o grupo de cereais, farinhas e preparações avançou 70,8%. No semestre, o setor vendeu US$ 7 bilhões ao exterior, 8,8% a mais, e respondeu por 71% das exportações do Estado.

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>>>  Por que importa: Depois de anos de seca e enchentes, o Rio Grande do Sul rapidamente recuperou a capacidade de produzir e vender.

IMPACTO

Invest RS ganha prêmio e cadeira no conselho do IEDC

No fim de outubro, a Invest RS receberá o Excellence in Economic Development Award 2026 do International Economic Development Council (IEDC), a maior associação mundial do setor, e o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, passará a integrar o conselho de administração da entidade. O prêmio reconhece o Desenvolve Município, que reuniu 229 municípios e já estruturou 61 projetos, gerando cerca de R$ 1,1 bilhão em oportunidades. A entrega acontece na conferência anual do IEDC, de 25 a 28 de outubro, em Nova Orleans.

ROTA GLOBAL

Onde a Invest RS está presente

→ 17 a 21 de outubro: SIAL Paris, Paris-Nord Villepinte (França)

Realizada a cada dois anos, a feira reúne cerca de 8 mil expositores de 130 países e é aberta apenas a profissionais do setor, de importadores a distribuidores. A Invest RS leva a Paris um estado em que o agronegócio responde por 71% das exportações.

→ 20 a 23 de outubro: Mercopar, Caxias do Sul (RS)

Uma das maiores feiras de inovação industrial da América Latina chega à 35ª edição na Serra Gaúcha. Organizada pelo Sebrae RS e pela Fiergs, a feira reúne fornecedores, startups e compradores. Em 2024, gerou R$ 935 milhões em negócios.

→ 25 a 28 de outubro: Conferência anual do IEDC, Nova Orleans (EUA) 

O encontro do International Economic Development Council reúne profissionais de desenvolvimento econômico de vários países. É nele que a Invest RS receberá o Excellence in Economic Development Award pelo programa Desenvolve Município.

NEGÓCIOS

Oportunidades no RS

O vento da Campanha é apenas uma das apostas mapeadas pela Invest RS. Além do Book de Oportunidades em Energia, a agência mantém books dedicados à inovação e ao turismo, com dados, projetos e oportunidades de investimento em cada um desses setores. Também está disponível o relatório mensal da agência, com o balanço da carteira de projetos assessorados.

Você também pode acessar o RS em Dados, plataforma bilíngue de dados abertos da agência, com mapas interativos e dashboards sobre a economia, as empresas, a força de trabalho e o comércio internacional do estado.